Porto de Mós acolhe “Memórias do Carvão”

Porto de Mós acolhe “Memórias do Carvão” As Jornadas Internacionais “Memórias do Carvão” reuniram ao longo de três dias um conjunto de especialistas nacionais e internacionais...

PORTO DE MÓS ACOLHE “MEMÓRIAS DO CARVÃO”

TRÊS DIAS EM TORNO DO PATRIMÓNIO INDUSTRIAL MINEIRO, DISCUTIDO EM JORNADAS INTERNACIONAIS

As Jornadas Internacionais “Memórias do Carvão” reuniram ao longo de três dias um conjunto alargado de especialistas nacionais e internacionais de reconhecido valor, autarcas, técnicos e associações em torno da preservação e valorização do património mineiro, num território que, ainda hoje, perpetua memórias bem vivas associadas à atividade extrativa do carvão, corporizada na ação desenvolvida no seio do Couto Mineiro do Lena, no decorrer da primeira metade do século XX, nos concelhos de Porto de Mós e da Batalha.

Os trabalhos tiveram início no dia 11 de Setembro, no Município da Batalha, com uma visita ao Museu da Comunidade Concelhia. A sessão de abertura contou com a presença do Presidente da Câmara da Batalha, Paulo Batista, o Presidente da Câmara de Porto de Mós, João Salgueiro, Professor José Brandão e Maria de Fátima Nunes do Centro de Estudos de História e Filosofia da Ciência, da Universidade de Évora e Fernanda Rollo, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa, promotores da iniciativa.

A manhã foi preenchida com a comunicação inaugural destas Jornadas, proferida pelo Prof. Dr. Manuel J. Lemos de Sousa, “Carvões e Carvões”, na qual ficou demonstrado a valorização crescente deste combustível, enquanto fonte primária de energia, mediante a utilização de tecnologias ainda em fase de experimentação. Neste primeiro dia foi, ainda, aberta a exposição “Como Quem lavra as entranhas da Terra”, na Galeria Municipal Mouzinho de Albuquerque, um projeto fotográfico do F 2.8 – Coletivo de Fotografia, patente ao público até ao dia 28 de Setembro, alusiva à temática da exploração mineira no nosso país.

Porto de Mós acolheu o segundo dia destas Jornadas, marcadas, sobretudo pela diversidade, pertinência, adequação e interesse das comunicações. A abrangência desta iniciativa refletiu-se nos estudos apresentados sobre diferentes exemplos de património mineiro nacional e internacional, e sobre outras questões relacionadas com a aplicabilidade do carvão pela voz de um leque de conferencistas entendidos no estudo destas matérias, nomeadamente, Octavio Puche-Riart, da ETSI – Minas e Energia, da Universidade Politécnica de Madrid, Miguel Ángel Alvarez Areces, Presidente da INCUNA, Associação do Património da Indústria, Cultura e Natureza, das Astúrias e do TICCIH de Espanha, Comité de Conservação do Património Industrial, José M. Mata-Perelló, do Geoparque da Catalunha Central, entre outros.

A realidade do património industrial mineiro nacional foi, igualmente, discutida pela referência às Minas de Cabo Mondego, São Pedro da Cova, Minas do Espadanal, em Rio Maior e Pejão e, obviamente, também, o Couto Mineiro do Lena e feito o paralelo com outros projetos internacionais de valorização deste tipo de património, traduzidos no elevado número de museus, centros de interpretação, publicações, em contraponto com o cenário português. Couto Mineiro do Lena: carvão, carris e a “luz ao fundo do túnel” foi o nome dado à exposição fotográfica inaugurada, patente na sala de exposições do cine-teatro. A sessão de encerramento, com a presença do Professor José Brandão, em representação das Universidades Nova de Lisboa e de Évora e dos vice-presidentes dos dois municípios, Porto de Mós e Batalha,  Albino Januário e Carlos Henriques, respetivamente, pôs termos aos trabalhos de âmbito científico.

O dia 13 foi reservado para uma visita ao território que teve início com a visita ao Museu da Fábrica de Cimentos da Maceira, compradora de primeira linha dos carvões do Lena. Seguiu-se uma visita à Pia do Urso, no concelho da Batalha e à Boca da Mina das Barrojeiras, em Alcanadas.

O início da tarde propiciou uma vista privilegiada, em pleno Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros, no concelho de Porto de Mós e antecipou uma visita à boca da Mina da Bezerra, principal centro de extração do carvão do Couto Mineiro do Lena. O convite a vivenciar uma autêntica viagem no tempo foi feito e, em comboio, foi possível reconstituir o traçado da antiga linha de caminho de ferro da Bezerra, agora transformada em ecopista. De realçar a presença, neste dia, de antigos mineiros da lavra local e das Minas do Espadanal que, através de saudável convívio proporcionado, possibilitaram a troca de experiências e de memórias. O dia terminou na antiga central termoeléctrica, em Porto de Mós.

Três dias de discussão científica em torno do património industrial mineiro, resultantes da parceria entre os Municípios de Porto de Mós e da Batalha, promovida por duas entidades universitárias de renome e que proporcionaram a apresentação de ideias com vista à valorização e preservação da identidade local, essencial no crescimento cultural e educacional das comunidades.

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