Patrimónios em Trânsito: Memória, Terra e Corpo entre Cabo Verde, Portugal e São Tomé e Príncipe
área de conteúdos (não partilhada)Entradas livres.
Oficinas abertas a 8 participantes!
Inscrições para castelo@municipio-portodemos.pt
Patrimónios em Trânsito é um projeto artístico e de investigação que se debruça sobre as memórias da migração forçada no contexto colonial português, explorando de forma sensível e crítica as inter-relações entre corpo, terra e identidade. A iniciativa entrelaça antropologia, arte e cerâmica, construindo pontes entre os territórios de Cabo Verde, França, Países Baixos, Portugal e São Tomé e Príncipe, e promovendo um diálogo transnacional e intergeracional sobre heranças históricas e práticas de resistência. Assente numa abordagem colaborativa, o projeto combina pesquisa etnográfica, criação artística participativa e transmissão de saberes femininos, com foco na cerâmica como prática ancestral e ferramenta de reconstrução identitária. A colaboração entre artistas, investigadoras e mestres oleiras visa ativar memórias silenciadas e (re)inscrever narrativas históricas a partir da experiência sensível da matéria e do gesto.
A residência artística que decorre, durante o mês de setembro, na Real Factory e da qual decorrerá a exposição na Central das Artes posteriormente, assume um papel fulcral no desenvolvimento do projeto, integrando oficinas de cerâmica com a comunidade, experimentação artística e a criação de uma exposição aberta ao público. Esta etapa não é apenas um desdobramento do projeto, mas uma afirmação do compromisso do município com a valorização do património cerâmico, reforçada pelo facto de Porto de Mós integrar a Associação Portuguesa de Cidades e Vilas Cerâmicas (AptCVC). Esta residência representa, assim, uma aposta concreta na afirmação de Porto de Mós enquanto território de criação e transmissão cultural, potenciando o seu posicionamento estratégico na dinamização das artes e do artesanato.
Patrimónios em Trânsito é uma plataforma de investigação e criação que promove o resgate e a transmissão de memórias através da arte. A colaboração entre artistas e comunidades visa construir um legado cultural vivo, refletindo sobre as dinâmicas de mobilidade, resistência e transformação. Convidamos potenciais parceiros a apoiar esta iniciativa, contribuindo para a preservação e reinterpretação da história através da arte e da partilha de conhecimento.
PROGRAMA
5 DE SETEMBRO (SÁBADO) — 15:00
Olaria tradicional de Cabo Verde
Oficina conduzida pela oleira Laitina, de Cabo Verde, em conjunto com a artista Virgínia Fróis, centrada nas técnicas e saberes da olaria tradicional cabo-verdiana.
6 DE SETEMBRO (DOMINGO) — 15:00
Partilha de experiências em São Tomé, Água Izé, Projeto Mãos de Mulher. Oficina coordenada por Marta Clemente e Eduardo Malé.
Mar Azul, Mar Verde — Proposta de trabalho criativo com barro em torno da ideia das vagens e das sementes em diálogo com as conchas e búzios, ambos habitat de sementes e animais do mar azul e do mar verde.
12 DE SETEMBRO (SÁBADO) — 15:00
Oficina de azulejo
Conduzida por Virgínia Fróis, que toma a baunilha como fio condutor para pensar relações de poder, desejo e circulação.
13 DE SETEMBRO (DOMINGO) — 15:00
A história de São Tomé e a viagem das plantas
Conversa com o João Moreira da Silva e a Isabel Castro Henriques (história das plantas), sobre a história de São Tomé lida a partir da circulação das plantas.
19 DE SETEMBRO (SÁBADO) — 15:00
Roda de oleiro
Oficina do oleiro João Coelho, dedicada à técnica da roda, ligada à tradição de Porto de Mós.
20 DE SETEMBRO (DOMINGO) — 15:00
Memórias da cerâmica, conversa com Luísa Machado
Visita Museu de Cerâmica Alcobaça — coleção Maria do Céu e Luís Pereira de Sampaio e ao acervo de cerâmica de Real fábrica do Juncal da Família Pereira de Sampaio.
26 E 27 DE SETEMBRO (SÁBADO E DOMINGO) — 15:00
Apresentação e partilha dos trabalhos
Fecho do ciclo de setembro, com apresentação e partilha do trabalho desenvolvido ao longo do mês.
EQUIPA DO PROJETO
A equipa do projeto é composta por investigadoras, artistas e especialistas que contribuem para a pesquisa, criação artística e execução das atividades previstas. A colaboração interdisciplinar permite uma abordagem abrangente, cruzando antropologia, arte e cerâmica:
- Anna Nunes - artista e ceramista holandesa, investiga, desde 2022, as disparidades de género enraizadas no passado colonial através da prática artística.
- Francisca Pinharanda - antropóloga ambiental, especialista em migração e memória, conduzindo a pesquisa etnográfica e documental.
- Isabel Tavares - mestre oleira cabo-verdiana, responsável pela transmissão de saberes tradicionais e orientação das oficinas comunitárias.
- Maja Escher - artista e investigadora, explorando a intersecção entre natureza e cultura através da experimentação cerâmica.
- Marta Castelo - artista visual, com enfoque na relação entre corpo, paisagem e memória, contribuindo para a criação das obras e o registo audiovisual.
- Raquel Carvalho - produção, logística e operacionalização das atividades do projeto.
- Ricardo Barbosa Vicente - curador, responsável pela conceptualização expositiva e articulação das narrativas visuais do projeto.
- Saturnina Tavares - mestre oleira cabo-verdiana, cuja experiência de migração e trabalho nas roças de São Tomé serve como fio condutor para a investigação e oficinas de cerâmica.
- Virgínia Fróis - artista e investigadora, responsável pela conceção artística e coordenação das residências e oficinas de cerâmica.

