Lançamento do livro 'IPA, os automóveis de Porto de Mós' de José Barros Rodrigues
área de conteúdos (não partilhada)A década de 1950 foi particularmente fértil em tentativas de criação de uma indústria automóvel nacional, um tema que já tinha tido uma atividade febril, embora inconsequente, nos anos que antecederam a guerra de 1939-45. No período de 2 de agosto de 1950 a 14 de agosto de 1958 foi ministro da Economia o Dr. Ulisses Cortez e por ele devem ter passado algumas dezenas de requerimentos para produção de automóveis, camiões, tratores, motociclos, motores e outros. De repente, pensou-se que a aposta na mobilidade mecânica poderia ser o caminho mais seguro de um empresário candidato a este tipo de indústria intensiva. Mas muitos deles não tinham completa noção das exigências de planeamento, financiamento, gestão de fornecedores, gestão de stocks de matérias primas, de componentes e de produtos acabados, para além do intensivo e exigente desenvolvimento dos veículos que tinham de ter uma qualidade mínima, com segurança, com frugalidade e com fiabilidade. Mesmo assim, surgiram candidatos que, tendo em conta os produtos apresentados e a experiência então reclamada, poderiam ter avançado na década de 1950, com eventuais políticas protecionistas, sem dúvida — como acontecia na generalidade dos países ocidentais nesta época — e com a perspetiva de que o mercado não era apenas o da Metrópole, mas também todo o potencial das então denominadas colónias. João Monteiro Conceição tinha perfeito conhecimento das exigências desta indústria, estudando-a a sério, e a sua capacidade de planeamento teria levado a bom porto a execução em bom ritmo e com eficiência dos seus automóveis orgulhosamente produzidos em Porto de Mós. Foi realmente um absurdo impedir administrativamente que a IPA jogasse o seu futuro no mercado em nome da proteção de outro automóvel utilitário português, baseado no Simca Aronde, equipado com um motor de 4 cilindros, 4 tempos e 1,2 litros que iria ser produzido sob o impulso financeiro de António Champalimaud — e que custaria o dobro do pequeno automóvel de Porto de Mós, inserindo-se num segmento completamente diferente, com outro nível de oferta, e destinando-se a um público com outro grau de exigência — e que acabou também por ser implacável vítima da Lei do Condicionamento Industrial. A João Monteiro Conceição fica, pelo menos, esta sentida homenagem à sua inteligência e à capacidade de “querer fazer coisas”, que ao longo da sua vida sempre demonstrou.
16h00
Entradas livres.

